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A culpa foi minha, confesso. Fui embora, sumi por três anos e deixei você aqui pra se virar com qualquer sentimento que provavelmente sentia por mim. Sumi sem deixar rastros, pistas ou algum porque pela minha partida. Sumi sem explicações a ser dada, por mais que fosse preciso. E o pior? Eu ainda tive a cara de pau de voltar. Imprevisível e canalha. Duas palavras que me define bem pra caralho. — Não sabia como olhar pra você, não sabia se ainda se lembrava de mim ou ao menos se queria saber do imbecil que te deixou. Depois de ter te abandonado, depois de todo o erro que cometi, eu to aqui. Em frente da porta da tua casa. Não, eu não tenho um buquê de flores em minhas mãos, nem uma caixa de chocolates daquela marca que tu tanto adorava, e nada daquilo que você amava ver em filmes e dizia que eu podia ser assim. Não tenho uma ótima desculpa, muito menos um motivo suficiente pra você me perdoar. Apenas a minha velha mania de fumar quando está nervoso, como de costume. Procurei saber de você, fui atrás das tuas amigas, dos antigos lugares que você sempre frequentava, e até mesmo aquela praça que nos conhecemos. Te procurei em toda a parte, até procurar seus amigos pelo qual eu tinha tanto ciúmes, eu procurei. Pelo menos pra me informar um pouco de ti, já que nenhuma notícia se quer eu tinha sua mais. Nada encontrei, tudo mudou depois que fui embora. Suas amigas já não moravam mais por aqui, muito menos seus amigos. A praça perto da sorveteria era o único lugar que não tinha mudado tanto depois desses três anos. Aquela praça era o nosso lugar. Eu sabia bem como denominamos aquela praça. Sempre foi nosso local de encontros a noite, e a lua era testemunha disso, estava sempre lá, presente a cada vez que nos encontrávamos. Olhar pra lua e não pensar em você. Eu já não sabia mais o que era isso. Assim que decidi ir embora, eu já estava ciente que te perderia. Talvez pra sempre. Caralho, doía a garganta cada vez que eu pensava isso. Eu precisava ter certeza que tu tava melhor sem mim. Afinal, três anos se passaram. E foi dessa maneira estúpida que te perdi, no momento que te dei as costas, nem um telefonema a ser dado pra você, nem uma carta, um email, nada. Sumi das redes sociais, troquei meu número, mudei de cidade. Eu até cheguei a discar teu número várias vezes, mas desisti. Escrevi milhares de mensagens mas nunca tive coragem de enviar. E ainda estão no rascunho do meu celular esperando pra serem enviadas. Falhei. Não sabia como te falar, te explicar o porque por eu ter ido. Eu nem sabia porque eu queria te dar explicações, sempre fui o filho da puta que não se importa com nada, nem com a própria vida não é mesmo? Era tão complexo, eu mal sabia o que estava acontecendo comigo. Só queria que aquilo que eu estava sentindo não me dominasse e apenas fui embora. Achei que fosse a melhor decisão a ser tomada, mas acabei tomando a pior. Fui covarde, eu sei. Será que soaria tão clichê se eu dissesse que depois de ter ido o meu mundo virou pelo avesso e nunca mais voltou ao normal? Pois foi isso que aconteceu. Parece que uma tempestade de saudade e culpa se instalou dentro de mim e nunca mais foi embora. Um buraco se fez no meu peito. Vazio, oco, nostálgico e sombrio. E claro, isso era muito estranho pra mim. Nem um relacionamento sério nós tivemos, no máximo uma amizade colorida. Brincávamos de que eramos namorados, mas nunca levamos isso a algo mais sério. Planejávamos um futuro juntos, apelidos foram dados, fotos eternizaram nossos momentos juntos, e as lembranças? O lugar mais proibido dentro de mim. Tu era diferente, mexia comigo de uma maneira que nenhuma outra garota era capaz de mexer. Me deixava idiota e me fazia sentir bem ao teu lado. Não me deixava excitado e doido pra te jogar em uma cama assim como todas as outras me deixavam. Tudo que elas me davam era prazer e nada mais. E você…? Você não era assim, era totalmente diferente, e eu só sentia necessidade de te cuidar e te proteger em meus braços pra sempre. Era apenas… carinho. Assim eu esperava que seja, apenas uma melhor amiga. Eu podia ficar horas dizendo o quanto tu era tão minha, o quanto eu odiava quando você me desafiava arqueando a sobrancelha… Mas vamos manter o foco. Eu tive medo. É, medo cara. Muito medo por sinal. Sempre pareci uma pessoa tão segura, mas no fundo, eu tinha medo de amar alguém, principalmente você. Eu mal tinha responsabilidade da minha vida, como eu poderia te fazer feliz? Tudo que eu mais queria era isso, te ter só pra mim, te cuidar, te fazer feliz. Mas cá entre nós, a gente sabia que eu não era capaz disso. Naquela época eu andava pensando bastante se eu te contava que eu partiria pra casa dos meus pais em Londres pra te deixar livre e buscar tua felicidade ou não. Eu não podia amar, eu não podia te amar. Te amando, eu te perderia pra sempre - O que não foi muito diferente, te perdi de qualquer jeito - E isso foderia com minha vida, e a sua também. Eu tinha que te deixar ser feliz. Foi essa decisão que eu tive, ir embora. Assim você me esqueceria em menos de um mês e tudo estaria certo. Eu não podia te dizer isso, explicar tudo e cara… Tu é agressiva e teimosa guria. (Não que isso seja uma critica, porque eu amava tudo em ti, principalmente isso) Você iria se estapear em palavras comigo, iria falar até que tuas cordas vocais já não emitisse mais nenhum som. (…) Esse teu jeito complicado… me deu uma puta falta garota. Puta falta de ter uma chata no meu pé mandando eu parar de fumar porque eu cheirava a tabaco. Odiava a tua mania de tirar o cigarro da minha boca, e afastar qualquer garrafa de vodka pra longe de mim, mas convenhamos, eu sinto falta disso. Eu já não sei mais porque motivos eu me encontrava presente em frente da tua porta. Não tinha batido nela, nem tocado a campainha. Apenas estava parado. Saudade. Amizade. Paixão. Am…Amor? “Se fosse amor mesmo, eu não teria ido. Mas pensar na felicidade de outra pessoa mais que na sua, é considerado amor não é?” Isso embaralhava minha mente. Vai que é apenas saudade ou uma paixão adolescente vindo de um idiota como eu? O relógio nunca me pareceu tão vivo desde que te deixei. A cada segundo que passava, eu sentia um pouquinho gigantesco da falta que tu me faz. Eu tinha levado tantas garotas em vários motéis e pra minha cama, transei com todas sem exceção. Mas nenhuma foi suficiente pra fazer diminuir essa falta. Era apenas um passa-tempo. Conheci muitas… morenas, loiras, ruivas, taradas, simpáticas, estranhas, com diversos cheiros diferentes, sabores inigualáveis e de todos os tipos. E nenhuma conseguiu te substituir e te tirar da minha cabeça. Nenhuma delas jamais ouviu aquela frase mais clichê de todas: “eu te amo” saindo da minha boca, por mais que eu já tenha namorado algumas delas nesse tempo. Nenhuma foi capaz de me fazer te esquecer. Muito menos sentir tudo o que sinto por você. Três anos se passaram e o idiota aqui ainda fixado em você. Merda. Eu sei, todas as coisas que já te disse foram no máximo “eu gosto tanto de você, eu não quero te perder” etc. E olha que eu já te amav… Droga. Esquece. Vou embora, já to há um bom tempo aqui parado em frente a tua porta sem nenhuma reação. - É, tarde demais. - Foi o que eu sussurrei pra mim assim que você abriu a porta. Era inevitável não perceber as suas mudanças. Estava tão linda, assim como sempre foi. O teu sorriso nunca me pareceu tão lindo, você tinha mudado tanto, já era uma mulher. É, o tempo passou e não foi só eu que mudei. Tu não tinha mais cachos, agora estavam em mechas lisas, e o teu olhar… continuavam duas bolinhas de mel brilhantes. Estava pronta pra sair com um vestido preto bem apertado que definia bem suas curvas que há três anos atrás eram inexistentes. Você realmente estava feliz. Sem mim. Isso era visivelmente notado. E o que eu menos esperava… tinha um cara ao teu lado, com a mão na tua cintura, e te chamava de “amor”. A mesma aliança no dedo dele, estava no seu. Eu conhecia bem ele, era o chefe do time de futebol do colegial pelo qual tu tinha um “amor platônico”. Foi tudo o que eu precisava ver pra me arrepender de ter voltado e principalmente por ter voltado ali achando que você continuaria a mesma. Mas uma coisa eu fiz certo, toda aquela merda que eu fiz há três anos atrás, valeu a pena. Tu encontrou a sua felicidade. Alguém que te cuide assim como nunca fui capaz. — (…) Eu perdi você. E foi ali que eu tive a certeza de que era pra sempre. “Pra sempre” Merda de duas palavras que ecoa tanto na minha mente. Pra sempre é tempo demais sem você.
— O amor da sua vida estava do teu lado o tempo todo, só você não viu.
Gabrielly R. (b-loodsucker)(via copodeleite)